Publicada em meados dos anos 2000, na seção Brasil do jornal SIMPE-BA, a reportagem “Muito mais do que acarajé, abaré e samba” destaca a atuação da educadora e pesquisadora Vanda Machado na construção de práticas pedagógicas voltadas para a valorização da história e da cultura afro-brasileira nas escolas.
A matéria problematiza a forma limitada e estereotipada com que a população negra historicamente foi representada no ambiente escolar, frequentemente associada apenas à escravidão, ao folclore ou a manifestações culturais isoladas. Em contraposição, o texto evidencia a importância de reconhecer a ampla contribuição dos povos africanos e afrodescendentes para a formação social, intelectual, científica e cultural do Brasil.
Ao apresentar o Projeto Irê Ayó, desenvolvido na Escola Municipal Eugênia Anna dos Santos, no Ilê Axé Opô Afonjá, a reportagem mostra como Vanda Machado elaborou uma proposta pedagógica comprometida com a construção da autoestima, da identidade e do pertencimento entre estudantes negros e negras.
O texto também ressalta os desafios enfrentados na implementação da Lei 10.639/03, especialmente a ausência de formação adequada para professores, a escassez de materiais didáticos específicos e a necessidade de metodologias capazes de dialogar com as experiências culturais afro-brasileiras dentro da escola.
A reportagem destaca ainda a produção de materiais pedagógicos desenvolvidos por Vanda Machado como instrumentos fundamentais para apoiar educadores e ampliar o debate sobre educação antirracista no Brasil. Nesse contexto, o projeto é apresentado como referência para iniciativas que buscam superar práticas discriminatórias e promover uma educação mais plural e inclusiva.
Outro ponto central da matéria é a reflexão sobre preconceito e desconhecimento histórico. Ao defender a valorização da cultura afro-brasileira no currículo escolar, o texto reafirma que compreender a participação negra na formação do país é um passo essencial para enfrentar o racismo estrutural e fortalecer relações de respeito e reconhecimento.
Mais do que discutir educação, a reportagem evidencia a construção de um projeto político, pedagógico e cultural comprometido com memória, ancestralidade e transformação social.
A matéria completa integra o acervo histórico de Vanda Machado e pode ser acessada na íntegra neste link, contribuindo para a preservação de sua trajetória intelectual, educacional e de sua atuação na luta pela valorização da cultura afro-brasileira.
https://drive.google.com/file/d/1lbjIUlIXt7-3QnibGtsuzIjuwq8-QtDj/view?usp=drive_link

