Lição afro: a Escola Eugênia Anna dos Santos e a construção de um currículo voltado às raízes africanas

A reportagem “Lição afro” registra um momento importante da trajetória da Escola Eugênia Anna dos Santos, situada no Ilê Axé Opô Afonjá, ao apresentar a experiência pedagógica que transformou a unidade na primeira escola da cidade a adotar um currículo voltado às raízes afro-brasileiras.

Assinada por Reinaldo Braga, a matéria descreve a assinatura do convênio entre a Prefeitura de Salvador e a Sociedade Cruz Santa do Ilê Axé Opô Afonjá para implementação do projeto pedagógico inspirado na experiência “Escola, Arte e Alegria”, desenvolvida pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura.

O texto destaca que a proposta não consistia em criar disciplinas isoladas sobre cultura africana, mas em reorganizar o próprio modo de ensinar a partir da realidade cultural das crianças da comunidade. A reportagem afirma:

“O grande mérito do projeto é justamente transformar o ensino, fazê-lo mais prazeroso e em sintonia com a realidade dos próprios alunos.”

A matéria explica que os estudantes passaram a utilizar referências da herança africana dentro do currículo regular, integrando arte, dança, histórias, oralidade e cultura afro-brasileira às atividades escolares.

Em um dos trechos centrais da reportagem, Vanda Machado, apresentada como uma das consultoras do projeto Irê Ayó (“caminho da alegria”), comenta:

“A adaptação de histórias e lendas inspiradas na cultura negra, por exemplo, pode fazer parte de uma aula de literatura.”

Outro aspecto importante do texto é a descrição da presença da língua iorubá no cotidiano escolar:

“Os alunos saúdam os visitantes em iorubá, mesma língua em que cantam o hino da escola.”

A reportagem também registra a preocupação de Vanda Machado em diferenciar educação afro-brasileira de ensino religioso. Em sua fala:

“O trabalho não tem cunho religioso.”

A matéria traz ainda declarações de Mãe Stella de Oxóssi sobre o significado político e histórico da iniciativa para a comunidade do Afonjá:

“Este momento representa uma luta de 22 anos da comunidade do Ilê Axé Opô Afonjá.”

Ao acompanhar a implantação do novo currículo, o texto documenta um período em que experiências pedagógicas ligadas às culturas afro-brasileiras começavam a ganhar espaço dentro das escolas públicas de Salvador, muito antes dessas discussões se consolidarem nacionalmente através da Lei 10.639/03.

A versão completa desta reportagem integra o acervo histórico de Vanda Machado e encontra-se preservada neste link através do acervo de memória jornalística e documental.

https://drive.google.com/file/d/1CUS9Tk0sbJJ3TUdj-rGdSrz1XJghUfQq/view?usp=drive_link

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