Somos Didá: Vanda Machado, mulheres negras e a pedagogia do cotidiano

Publicada pela Associação Educativa e Cultural Didá, a edição “Somos Didá” reúne reflexões, memórias e depoimentos de mulheres ligadas à trajetória da instituição, apresentando a Didá como um espaço de formação cultural, fortalecimento comunitário e valorização da identidade negra feminina.

Mais do que uma publicação institucional, o material funciona como um mosaico de experiências construídas a partir da música, da educação, da ancestralidade e da convivência coletiva. A presença de educadoras, artistas e lideranças negras revela a dimensão comunitária do projeto e sua relação com a vida cotidiana das mulheres que atravessam a história da Didá.

Entre os destaques da publicação está a participação de Vanda Machado, apresentada como mestre e doutoranda em educação e consultora cultural da instituição. Sua reflexão aproxima educação, ancestralidade e experiência comunitária, descrevendo a Didá como um território de aprendizagem afetiva e resistência cultural:

“Aqui só se aprende vivendo este cotidiano.”

Ao longo do texto, Vanda Machado constrói uma leitura da Didá como espaço de acolhimento, imaginação e permanência negra, relacionando arte, memória e formação humana:

“É fácil sonhar com a presença da mulher negra como referência na sociedade como sempre foi na família ancestral.”

A publicação também evidencia a dimensão simbólica do tambor, da dança e da música na formação das mulheres e crianças que participam do projeto. Em um dos trechos mais marcantes, a relação entre cultura e resistência aparece diretamente associada à experiência coletiva da comunidade:

“Quando a tristeza e o desânimo batem, é com o canto e a voz do tambor que expulsamos a desesperança da casa e do coração da gente.”

Outro momento importante da edição é o texto “Didá transforma vidas”, no qual Vivian Caroline, diretora-presidente da instituição, relembra os impactos do projeto na vida de meninas negras formadas artisticamente dentro da Didá:

“A Didá é nossa segunda família.”

A publicação registra ainda os 13 anos de atuação da instituição, destacando o alcance social e cultural do trabalho desenvolvido com mulheres, crianças e adolescentes em Salvador. Ao reunir diferentes vozes femininas, o material apresenta a Didá não apenas como grupo cultural, mas como espaço de construção de cidadania, autoestima e pertencimento afro-diaspórico.

Mais do que um boletim institucional, “Somos Didá” documenta uma experiência coletiva de mulheres negras que transformaram cultura em ferramenta de educação, autonomia e continuidade ancestral.

A publicação integra o acervo histórico de Vanda Machado e pode ser acessada na íntegra neste link, preservando registros fundamentais sobre sua atuação intelectual, educacional e cultural junto às mulheres e comunidades negras da Bahia.

https://drive.google.com/file/d/14dXKP3KifYv7YTzXARf91T_92zTfwKtT/view?usp=drive_link

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